Candal

Candal, aldeia serrana da União das Freguesias de Carvalhais e Candal concelho de São Pedro do Sul, distrito de Viseu. Esta povoação situa-se na extremidade norte do concelho de São Pedro do Sul, circunscrita pelo concelho de Arouca, distrito de Aveiro.
As referências documentais mais precisas a este território datam do século XI. O Território encontrava-se povoado e organizado em características unidades de exploração agrária (“villas”), disseminadas pelas zonas de vale, a coberto das eminências castro-castelejas.
Segundo a Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, a origem do nome Candal esta ligada a uma palavra mais remota, Candaal, que por sua vez vem de Candalal ou Candanal, derivando esta ultima de Cando, que significa sítio pedregoso e declivoso. Na realidade, esta definição vem de encontro à morfologia do local, que apresenta muitos penedos.
O acidentado da região, propício como era à defesa castreja, leva a crer que por aqui sempre existiu população desde épocas muito remotas, terá existido vestigios de população na região, como o atestam os castros existentes nas imediações.
Existem ainda vários vestigios da passagem dos romanos por estas terras. No ano de 1952 foi encontrado pelo Sr. Manuel Cristóvão de Pinho um túmulo, num local denominado Lombo do Burgo. A arca tumular tinha 1,70 m de lastro, pedras laterais e duas de cobertura. Numa das pedras laterais encontrava-se a seguinte inscrição: LVALCA MRAS VSAR COBRIC ENSISI ICS. EST. é hoje pertença do Museu de Belém, em Lisboa.
Outro vestígio da passagem dos romanos foi a descoberta duma seta de cobre, em 1943, na Vala Grande de Cabreiros, que se julga ser de origem romana.Um documento da era de 1257, situa Candal na terra de Alafões. Em 1527 Candal ainda fazia parte da freguesia de Carvalhais, tendo oito moradores no Candal, quatro na Póvoa das Leiras e quatro na Coelheira. Por curiosidade, referimos a existência no arquivo distrital de Viseu do mais antigo livro de assentos de baptismos, datado de 1626. No Livro de óbitos, datado de 1698, poderemos ler um apontamento feito pelo Cura Padre Marcos de Abreu que atesta que já nessa época havia um clérigo natural do Candal: “Aos sete de Setembro de1698 comecei a ementar pela alma de Domingos de Carvalho, filho de Estêvão João, do Candal, indo ele a buscar ordens sacras a Roma e mais outros camaradas os quais chegaram a suas casas e o dito Domingos de Carvalho ficou no caminho doente e mal tratado...”
Um documento da era de 1376 fala da Coelheira. Foi João Annes, doutor e senado de El Rei que fez testamento no Mosteiro de Paço de Sousa, deixando ao Prior e ao Convento o seu casal na Coelheira e o de Marrouca.
Não se sabe ao certo em que data foi construída a paróquia. Sabe-se porém que já existia em 1626 e era um curato da apresentação do Abade de Carvalhais.
Em 1896 Candal foi anexado, para efeitos administrativos, a Covelo de Paivó, conseguindo posteriormente a sua antonomia.
Uma das lendas que povoam o imaginário da população é “a lenda da panela de oiro” que advoga a vivência de mouros nesta freguesia. Esta conta-nos que uma mulher foi apanhar estrume no Cudessal (entre Candal e Póvoa) para os seus animais. Como estava calor, pôs-se à sombra duma pedra enorme. Casualmente começou a furar a pedra com a sua foice e como que por actos mágicos surgiu-lhe uma tampa de uma panela. Debaixo dessa tampa havia uma panela escavada na pedra, contendo muito oiro. A mulher recolheu todo o oiro e dirigiu-se para casa. Pelo caminho escutou uma voz que lhe disse para não olhar para trás. A mulher não acatou com a recomendação e acabou por falecer ao chegar a casa. A veracidade da lenda não pode ser confirmada, no entanto a panela escavada na pedra existe mesmo.