Prendedores

“Não se referem as inquirições a tal povoado. Os jurados quando depõem sobre o reguengo das barbas informam que o possuem “Johannes fernandi... e Rodericus petri” e que são “miles de barroso”. Sobre Barroso também nada diz aquele documento. Pela disposição e nome das antigas e atuais povoações e pelo rio barroso, terra dos dois mencionados cavaleiros.
O recenseamento de D. João III chama-lhe “pemdores” e dá-lhe 6 fogos. Junto a Prendedores ergue-se – o Oiteiro de forcas. – Sem dúvida que este topónimo nos garante apodicticamente que, nos recuados tempos medievais, a freguesia teve, embora não me conste que haja sido concelho, as suas justiças. Corre na tradição que o lugar de prendedores recebeu o nome dos meirinhos ou prendedores que nela habitavam. Diz-se que esses prendedores encarceravam os condenados numa torre que existiu na povoação que tem o mesmo nome, por fim, enforcavam-nos, no Oiteiro das Forcas.
Também consta que que, por vezes, o povo arruaçado não esperava que prendessem, julgassem e enforcassem o condenado. Bordoavam-no, fazendo justiça pelas suas próprias mãos.
Querem alguns ver nisto a justificação para a lenda da “justiça de Carvalhais”, a famosa “justiça” sentenciada e aplicada pelo queixoso à cacetada.”

in "Carvalhais - Elementos para o estudo da freguesia" -1963 - M. Correia Tavares